Professora do curso de Física de Materiais publica pesquisa que modela respostas da retina humana a estímulos luminosos
A optoretinografia é uma técnica inovadora que permite detectar e medir, de forma não invasiva, como os neurônios da retina humana reagem a estímulos visuais, e tudo isso em tempo real e em indivíduos vivos. Essa abordagem promissora abre caminho para aplicações importantes e variadas: desde o diagnóstico precoce de doenças oculares até o avanço no entendimento do funcionamento do sistema visual.
No trabalho, a professora Denise Valente e seus colaboradores apresentam uma plataforma de imagem que combina tecnologias avançadas como a tomografia por coerência óptica de campo completo com óptica adaptativa, permitindo capturar imagens da retina com resolução celular. Com ela, foi possível medir alterações morfológicas sutis nos cones (células fotossensíveis da retina) em resposta a diferentes padrões de estímulo.
A equipe também propôs um modelo matemático simples e robusto, com quatro parâmetros, que descreve com precisão a resposta trifásica dos cones (contração inicial, elongação e contração tardia). O modelo apresenta excelentes ajustes a diferentes estímulos e revela relações dose-dependentes para cada parâmetro, sugerindo um forte potencial como biomarcadores, ou seja, sinais biológicos confiáveis que indiquem disfunções nos fotorreceptores da retina.
Os resultados da pesquisa estabelecem bases para a definição de métricas funcionais normativas dos fotorreceptores, essenciais para:
- Diagnóstico precoce de doenças degenerativas da retina, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e a retinose pigmentar;
- Monitoramento da progressão das doenças;
- Avaliação da eficácia de novas terapias, como tratamentos genéticos e celulares.
Apesar do número reduzido de voluntários e das diferenças demográficas entre eles, como idade, etnia (e a consequente pigmentação ocular), sexo e comprimento axial do olho, o estudo concentrou-se na formulação de um modelo geral de resposta dos fotorreceptores, e não na quantificação dessas fontes específicas de variação. Mesmo com essas diferenças, observou-se consistência nas respostas trifásicas entre os participantes, o que reforça a eficácia do modelo proposto. Experimentos futuros buscarão ampliar a amostra e incluir indivíduos com retinopatias, com o objetivo de estabelecer padrões comparativos entre retinas saudáveis e comprometidas, avançando ainda mais na aplicação clínica da técnica.
Link para o trabalho:
• Insight into human photoreceptor function: Modeling optoretinographic responses to diverse stimuli
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