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Blogs do curso de Física de Materiais - UPE

Por Trás do Limite

Quando escolhemos estudar Física, entramos em um caminho cheio de incertezas. Em muitos momentos acreditamos que tudo vai dar errado e somos tomados por dúvidas constantes. Mas, com o tempo, percebemos que ser estudante de Física é aprender que sempre existe algo novo a descobrir e que nada é tão complexo que não possa ser compreendido com esforço e perseverança.

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Man Holding Brown Rope (pexels.com)

Quando entrei no curso, não sabia exatamente o que esperar. Será que eu iria gostar? Será que a área era valorizada? Será que todo o esforço faria sentido? No início minha postura era apenas: “vamos ver no que dá”. Com o passar dos períodos, especialmente a partir do terceiro, percebi que a Física não forma apenas pesquisadores, mas também molda pessoas mais fortes, resilientes e completas.

A Física está presente em tudo, desde o funcionamento do nosso corpo até os pequenos detalhes do dia a dia, como pegar um ônibus. Mas o que realmente transforma não são apenas os conteúdos, e sim o quanto estamos dispostos a nos entregar ao processo de formação. Estudar Física exige entrega, exige aceitar o desafio de crescer tanto no lado profissional quanto no lado pessoal. No meio desse processo, aprendemos também a lidar com nossos próprios limites. Muitas vezes acreditamos ter chegado ao máximo, quando, na verdade, ainda temos forças para ir além. É como em um treino na academia: escolhemos um peso que acreditamos suportar, mas poderíamos levantar mais. O mesmo acontece na graduação. Confundimos dificuldades com impossibilidades e, assim, deixamos de avançar. O segredo está em reconhecer quando o cansaço é real e quando é apenas medo de falhar.

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MIT physicists generate the first snapshots of fermion pairs (mit.edu)

Ao longo da formação, descobrimos que ser um bom profissional físico vai muito além de tirar boas notas. Existe uma ilusão de que notas definem bons profissionais, mas a realidade é que o que realmente constrói um físico habilidoso são as experiências vividas na graduação. É participar de grupos de pesquisa, aprender a se comunicar em público, conduzir reuniões, representar um grupo em eventos, fazer contatos pelo mundo e, sobretudo, ter a iniciativa de resolver problemas quando eles aparecem. A graduação é o momento em que enfrentamos desafios que nos preparam para o futuro, e quanto mais experiências buscamos nesse período, mais prontos estaremos para o mercado e para a vida.

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Searching the subatomic world for a new force (bu.edu)

Ser físico e cientista não é apenas resolver equações complexas. É saber trabalhar em equipe, propor soluções criativas, liderar, comunicar-se bem e aplicar o conhecimento para transformar realidades. É unir raciocínio lógico e disciplina com humanidade e criatividade. Mais do que uma formação acadêmica, a Física é um processo de autodescoberta, que nos ensina a superar limites, a não desistir diante das dificuldades e a estar sempre abertos ao aprendizado.

No fim das contas, ser físico é se permitir evoluir constantemente. É absorver os aprendizados da graduação não apenas para se tornar um profissional competente, mas também para se tornar uma pessoa melhor. A Física nos ensina resiliência, transformação e impacto. E é isso que torna esse caminho tão desafiador quanto inspirador.

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Hugo Antonio Domingos Correia
Graduando em Física de Materiais pela Universidade de Pernambuco (UPE). Foi bolsista de iniciação científica pela FACEPE, atuando em pesquisas na área de materiais magnéticos. Possui certificações em Lean Six Sigma (White, Yellow, Green e Black Belt), voltadas para gestão de processos e melhoria contínua, com foco na redução de desperdícios, aumento de eficiência e implementação de metodologias de qualidade em ambientes acadêmicos e empresariais. Conta ainda com certificação em Excel Avançado, além de ter participado do Hackathon LATAM 2025. Na área de computação quântica, possui as certificações QBronze e QNickel, concedidas pela QWorld. Contribuiu na Comissão Organizadora da Mostra de Extensão, Inovação e Pesquisa, evento integrante do INGENIA – Semana Universitária da Universidade de Pernambuco, realizado na Escola Politécnica de Pernambuco (MOSTRA POLI/UPE 2024). Também participou do projeto de extensão "Terceiro Nivelamento FisMat", auxiliando alunos ingressantes no curso de Física de Materiais. Possui experiência em atividades de monitoria, tendo sido monitor das disciplinas Álgebra Linear, Cálculo Diferencial e Integral em uma Variável, Fundamentos da Ondulatória e Termodinâmica e Cálculo Numérico. Desenvolve pesquisas em dinâmica de paredes de domínio magnéticas, com foco na melhoria de memórias e dispositivos de comutação baseados em materiais ferromagnéticos.